22.3.06
Carta ao Presidente da Câmara de Matosinhos
Sobre o anunciado arranque de árvores numa rua do centro de Matosinhos a pretexto de obras de requalificação, a Campo Aberto enviou na passada segunda-feira ao Presidente da Câmara, Dr. Guilherme Pinto, a carta que a seguir se transcreve.
20 de Março de 2006
Exm.º Senhor Presidente:
Soubemos há dias ter o Sr. Presidente comunicado aos moradores da rua de Roberto Ivens que, no âmbito das já iniciadas obras de repavimentação e infra-estruturas, seriam removidas todas as árvores no troço dessa rua entre a avenida da República e a rua de Tomaz Ribeiro. As árvores em causa, cerca de vinte plátanos adultos e meia-dúzia de árvores de menor porte
(ameixoeiras-de-jardim), dão à rua um carácter frondoso e acolhedor raro de encontrar no núcleo urbano de Matosinhos. Alguns moradores ficaram chocados com o anúncio; e é de facto natural e legítimo que se oponham a que a sua rua fique tão despida e inóspita como já são quase todas as artérias da vizinhança. A rua de Brito Capelo, por exemplo, não tem árvores na parte pedonal; a avenida de Serpa Pinto é bastante larga, mas só num dos seus passeios vegetam algumas raquíticas oliveiras-do-paraíso; e no granítico calçadão da novíssima avenida Norton de Matos não há uma única árvore que dê sombra ou descanse a vista.
No debate melhor ambiente, mais democracia entre os candidatos à Câmara de Matosinhos, promovido por uma plataforma de associações cívicas (entre elas a Campo Aberto) e realizado em 23 de Setembro de 2005, o Sr. Presidente afirmou o seu empenho por um melhor ambiente em Matosinhos, e prometeu que cada matosinhense iria poder usufruir de um espaço verde a curta distância de sua casa. É notório que em Matosinhos Sul, onde não existe um único jardim público para servir os milhares de novos moradores, tal promessa não foi ainda concretizada; e que, mais a norte, nos quarteirões confinantes com Serpa Pinto ou com a zona comercial de Brito Capelo, ela é no mínimo irrealista.
Mesmo que outras razões não houvesse (e muitas mais há) para que as árvores nos arruamentos fossem acarinhadas, o Sr. Presidente deveria ponderar que só elas podem mitigar o défice ambiental e de qualidade de vida resultante da inexistência de espaços verdes públicos no limite ocidental de Matosinhos. Uma gestão correcta da arborização urbana dá tempo a que a árvore cresça, e valoriza e protege a árvore adulta, na plenitude do seu desenvolvimento. As
árvores não são mobília descartável, para substituir sempre que se queira mudar o figurino do espaço público. Se por vezes há razões ponderosas para se abater uma ou outra, nada justifica que se arranquem de uma só vez todas as árvores adultas de uma mesma rua: são décadas de vida que se desperdiçam, e que não serão recuperadas antes de passarem outras tantas décadas. E como pode interessar à Câmara de Matosinhos, envolvida como está em acções de educação
ambiental, dar um tal exemplo público de menosprezo pela árvore?
Vimos apelar ao Sr. Presidente para que, no respeito pelos valores ambientais e pelo direito dos cidadãos ao espaço público, as obras em curso na rua de Roberto Ivens sejam repensadas de modo a que as árvores lá possam permanecer. O anunciado transplante não é solução porque, além de pôr em risco a vida das árvores, também significa a sua retirada definitiva, visto que praticamente nenhuma poderia sobreviver a um segundo transplante.
Se o Sr. Presidente aceitar reunir-se com a nossa associação, teremos todo o interesse em discutir consigo este e outros assuntos relevantes para o ambiente no concelho de Matosinhos.
Agradecendo desde já a sua atenção, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos.
Paulo Ventura Araújo
(pela Campo Aberto)
------------------------------------
20 de Março de 2006
Exm.º Senhor Presidente:
Soubemos há dias ter o Sr. Presidente comunicado aos moradores da rua de Roberto Ivens que, no âmbito das já iniciadas obras de repavimentação e infra-estruturas, seriam removidas todas as árvores no troço dessa rua entre a avenida da República e a rua de Tomaz Ribeiro. As árvores em causa, cerca de vinte plátanos adultos e meia-dúzia de árvores de menor porte
(ameixoeiras-de-jardim), dão à rua um carácter frondoso e acolhedor raro de encontrar no núcleo urbano de Matosinhos. Alguns moradores ficaram chocados com o anúncio; e é de facto natural e legítimo que se oponham a que a sua rua fique tão despida e inóspita como já são quase todas as artérias da vizinhança. A rua de Brito Capelo, por exemplo, não tem árvores na parte pedonal; a avenida de Serpa Pinto é bastante larga, mas só num dos seus passeios vegetam algumas raquíticas oliveiras-do-paraíso; e no granítico calçadão da novíssima avenida Norton de Matos não há uma única árvore que dê sombra ou descanse a vista.
No debate melhor ambiente, mais democracia entre os candidatos à Câmara de Matosinhos, promovido por uma plataforma de associações cívicas (entre elas a Campo Aberto) e realizado em 23 de Setembro de 2005, o Sr. Presidente afirmou o seu empenho por um melhor ambiente em Matosinhos, e prometeu que cada matosinhense iria poder usufruir de um espaço verde a curta distância de sua casa. É notório que em Matosinhos Sul, onde não existe um único jardim público para servir os milhares de novos moradores, tal promessa não foi ainda concretizada; e que, mais a norte, nos quarteirões confinantes com Serpa Pinto ou com a zona comercial de Brito Capelo, ela é no mínimo irrealista.
Mesmo que outras razões não houvesse (e muitas mais há) para que as árvores nos arruamentos fossem acarinhadas, o Sr. Presidente deveria ponderar que só elas podem mitigar o défice ambiental e de qualidade de vida resultante da inexistência de espaços verdes públicos no limite ocidental de Matosinhos. Uma gestão correcta da arborização urbana dá tempo a que a árvore cresça, e valoriza e protege a árvore adulta, na plenitude do seu desenvolvimento. As
árvores não são mobília descartável, para substituir sempre que se queira mudar o figurino do espaço público. Se por vezes há razões ponderosas para se abater uma ou outra, nada justifica que se arranquem de uma só vez todas as árvores adultas de uma mesma rua: são décadas de vida que se desperdiçam, e que não serão recuperadas antes de passarem outras tantas décadas. E como pode interessar à Câmara de Matosinhos, envolvida como está em acções de educação
ambiental, dar um tal exemplo público de menosprezo pela árvore?
Vimos apelar ao Sr. Presidente para que, no respeito pelos valores ambientais e pelo direito dos cidadãos ao espaço público, as obras em curso na rua de Roberto Ivens sejam repensadas de modo a que as árvores lá possam permanecer. O anunciado transplante não é solução porque, além de pôr em risco a vida das árvores, também significa a sua retirada definitiva, visto que praticamente nenhuma poderia sobreviver a um segundo transplante.
Se o Sr. Presidente aceitar reunir-se com a nossa associação, teremos todo o interesse em discutir consigo este e outros assuntos relevantes para o ambiente no concelho de Matosinhos.
Agradecendo desde já a sua atenção, subscrevemo-nos com os melhores cumprimentos.
Paulo Ventura Araújo
(pela Campo Aberto)


Campanha