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10.3.06

Governo deve legislar a participação pública na construção do metro do Porto

Comunicado à imprensa

Metro do Porto acaba de consumar mais um abate massivo de árvores, desta feita na já largamente desarborizada zona da Asprela. Segundo a imprensa, mais de 50 árvores foram arrancadas ou cortadas no recinto do IPATIMUP, “incluindo salgueiros, amieiros, carvalhos, castanheiros, bétulas, freixos e mesmo um ginkgo”; os responsáveis pelo instituto declararam-se apanhados de surpresa pela intervenção. Infelizmente este tipo de notícias vulgarizou‑se. Metro tornou-se sinónimo de mobilidade acrescida mas também de nefastas consequências para diversos locais da cidade que, ao invés de serem recuperados e melhorados, vêem perder as suas características mais distintivas.

Evidentemente que a tentativa de greenwash lançada há dias não passou disso mesmo. Se a empresa está satisfeita por ter, supostamente, poupado a vida a mais de 400 árvores devido ao carácter reutilizável do Andante, não deveria em primeiro lugar revelar o seu respeito pela vegetação nas obras que executa? Haja um mínimo de coerência!

Cremos que grande parte destes problemas seriam evitáveis se a empresa se pautasse por uma postura de maior transparência e abertura ao diálogo. Verificamos, pelo contrário, que a Metro do Porto se envolve em conflitos sistemáticos com uma grande diversidade de instituições da cidade, instituições essas que mereceriam mais respeito e que deveriam ser envolvidas de forma mais profunda nos processos de decisão.

A Campo Aberto vem, de uma forma construtiva, propor soluções para o grave problema de governança que tem caracterizado a construção do metro e para evitar o abate de mais um corredor arbóreo.

Governo deve adoptar um regulamento ambicioso para a participação pública

A Campo Aberto irá propor ao Governo – através do Ministro das Obras Públicas, Mário Lino – que aprove, a curto prazo e com força de lei, um regulamento ambicioso para promover a participação pública em todas as futuras obras relevantes relacionadas com o metro do Porto. Incluem‑se não apenas a construção de novas linhas mas também os arranjos à superfície decorrentes.

O regulamento definiria detalhadamente os procedimentos a adoptar com vista à informação atempada do público – em especial das entidades e pessoas directamente afectadas –, bem como à sua participação efectiva nas decisões, garantindo que sugestões e críticas são analisadas cuidadosamente e de forma imparcial. Note-se que a única participação promovida até hoje decorreu em 1998 aquando da Avaliação de Impacte Ambiental! Para uma obra com a envergadura do metro é insignificante.

Os avanços e recuos motivados por decisões autocráticas, apressadas e mal fundamentadas, e por empreitadas lançadas de rompante sem conhecimento prévio das instituições afectadas, têm criado conflitos e transtornos que acarretam prolongamento de prazos e agravamento de custos. Investir no envolvimento cívico representa por isso mesmo não só a prossecução dos princípios democráticos como também um bom negócio.

Note-se que esta proposta não visa aumentar o grau de influência do Governo sobre a Metro do Porto, assunto sobre o qual não nos pronunciamos; ela destina-se simplesmente a criar regras claras que deverão ser seguidas de modo a corrigir as graves lacunas apontadas.

A criação de uma ligação directa entre a estação do IPO e a ESE permitiria salvar a cortina arbórea existente

Segundo a imprensa foi já aprovado o recuo do muro em frente à Escola Superior de Enfermagem (ESE) para a construção de um passeio. Esta obra obrigará ao abate ou transplante de toda a cortina arbórea existente, o que, dada a falta de espaços verdes na zona e a destruição a que se tem assistido, deveria ser evitado a todo o custo. Estamos em crer que é possível evitar este abate procurando soluções alternativas – o que, lamentavelmente e mais uma vez, não foi feito pelas entidades responsáveis. Propomos aqui uma solução, entre outras que eventualmente seriam possíveis, que remeteremos tanto à Metro do Porto como à ESE.

Alega-se que o passeio é necessário para tornar a ESE acessível aos peões a partir da estação do metro do IPO. Ora isto pode ser conseguido através de uma ligação directa, como se ilustra na foto. A ligação pedonal ao Hospital de S. João é sempre possível atravessando-se a rua. Não é necessário, nem desejável, construir um passeio limitado por um muro de um lado e pela linha do metro do outro. Para garantir a segurança dos peões a linha do metro seria protegida por um gradeamento simples.


A Campo Aberto deseja que o prolongamento da linha amarela até ao Hospital de S. João se verifique o mais rapidamente possível, mas respeitando os valores naturais que ainda subsistem.

Outras tomadas de posição da Campo Aberto sobre o metro do Porto (ver http://www.campoaberto.pt)






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