.comment-link {margin-left:.6em;}

28.3.06

Árvores de Matosinhos: esclarecimento

Chegou-nos indirectamente o seguinte esclarecimento da Câmara de Matosinhos sobre «a transplantação de árvores no âmbito da obra de renovação urbanística da Rua Roberto Ivens – 2ª fase.
Norte da Rotunda da Av. da Republica:
- 5 árvores, não plátanos, transplantadas para o Horto Municipal, e o espaço deixado vago será ocupado por 5 novos plátanos;
- 2 plátanos mais pequenos foram transplantados para o Horto e serão depois repostos;
- 1 plátano será abatido por se encontrar em risco iminente de queda (suportado por estudo técnico) e será substituído, no final da obra, por um plátano jovem.»


Isto é de facto uma boa notícia, bem diferente do que nos foi dito pelos moradores e motivou a carta ao Sr. Presidente da Câmara que aqui divulgámos. Não sabemos se os moradores entenderam mal a informação que lhes foi prestada pela Câmara ou se esta decidiu alterar o projecto.

22.3.06

Carta ao Presidente da Câmara de Matosinhos

Sobre o anunciado arranque de árvores numa rua do centro de Matosinhos a pretexto de obras de requalificação, a Campo Aberto enviou na passada segunda-feira ao Presidente da Câmara, Dr. Guilherme Pinto, a carta que a seguir se transcreve.

------------------------------------

20 de Março de 2006

Exm.º Senhor Presidente:

Soubemos há dias ter o Sr. Presidente comunicado aos moradores da rua de Roberto Ivens que, no âmbito das já iniciadas obras de repavimentação e infra-­estruturas, seriam removidas todas as árvores no troço dessa rua entre a avenida da República e a rua de Tomaz Ribeiro. As árvores em causa, cerca de vinte plátanos adultos e meia-­dúzia de árvores de menor porte
(ameixoeiras-­de-jardim), dão à rua um carácter frondoso e acolhedor raro de encontrar no núcleo urbano de Matosinhos. Alguns moradores ficaram chocados com o anúncio; e é de facto natural e legítimo que se oponham a que a sua rua fique tão despida e inóspita como já são quase todas as artérias da vizinhança. A rua de Brito Capelo, por exemplo, não tem árvores na parte pedonal; a avenida de Serpa Pinto é bastante larga, mas só num dos seus passeios vegetam algumas raquíticas oliveiras-d­o-­paraíso; e no granítico calçadão da novíssima avenida Norton de Matos não há uma única árvore que dê sombra ou descanse a vista.

No debate melhor ambiente, mais democracia entre os candidatos à Câmara de Matosinhos, promovido por uma plataforma de associações cívicas (entre elas a Campo Aberto) e realizado em 23 de Setembro de 2005, o Sr. Presidente afirmou o seu empenho por um melhor ambiente em Matosinhos, e prometeu que cada matosinhense iria poder usufruir de um espaço verde a curta distância de sua casa. É notório que em Matosinhos Sul, onde não existe um único jardim público para servir os milhares de novos moradores, tal promessa não foi ainda concretizada; e que, mais a norte, nos quarteirões confinantes com Serpa Pinto ou com a zona comercial de Brito Capelo, ela é no mínimo irrealista.

Mesmo que outras razões não houvesse (e muitas mais há) para que as árvores nos arruamentos fossem acarinhadas, o Sr. Presidente deveria ponderar que só elas podem mitigar o défice ambiental e de qualidade de vida resultante da inexistência de espaços verdes públicos no limite ocidental de Matosinhos. Uma gestão correcta da arborização urbana dá tempo a que a árvore cresça, e valoriza e protege a árvore adulta, na plenitude do seu desenvolvimento. As
árvores não são mobília descartável, para substituir sempre que se queira mudar o figurino do espaço público. Se por vezes há razões ponderosas para se abater uma ou outra, nada justifica que se arranquem de uma só vez todas as árvores adultas de uma mesma rua: são décadas de vida que se desperdiçam, e que não serão recuperadas antes de passarem outras tantas décadas. E como pode interessar à Câmara de Matosinhos, envolvida como está em acções de educação
ambiental, dar um tal exemplo público de menosprezo pela árvore?

Vimos apelar ao Sr. Presidente para que, no respeito pelos valores ambientais e pelo direito dos cidadãos ao espaço público, as obras em curso na rua de Roberto Ivens sejam repensadas de modo a que as árvores lá possam permanecer. O anunciado transplante não é solução porque, além de pôr em risco a vida das árvores, também significa a sua retirada definitiva, visto que praticamente nenhuma poderia sobreviver a um segundo transplante.

Se o Sr. Presidente aceitar reunir-­se com a nossa associação, teremos todo o interesse em discutir consigo este e outros assuntos relevantes para o ambiente no concelho de Matosinhos.

Agradecendo desde já a sua atenção, subscrevemo-­nos com os melhores cumprimentos.

Paulo Ventura Araújo
(pela Campo Aberto)

10.3.06

Governo deve legislar a participação pública na construção do metro do Porto

Comunicado à imprensa

Metro do Porto acaba de consumar mais um abate massivo de árvores, desta feita na já largamente desarborizada zona da Asprela. Segundo a imprensa, mais de 50 árvores foram arrancadas ou cortadas no recinto do IPATIMUP, “incluindo salgueiros, amieiros, carvalhos, castanheiros, bétulas, freixos e mesmo um ginkgo”; os responsáveis pelo instituto declararam-se apanhados de surpresa pela intervenção. Infelizmente este tipo de notícias vulgarizou‑se. Metro tornou-se sinónimo de mobilidade acrescida mas também de nefastas consequências para diversos locais da cidade que, ao invés de serem recuperados e melhorados, vêem perder as suas características mais distintivas.

Evidentemente que a tentativa de greenwash lançada há dias não passou disso mesmo. Se a empresa está satisfeita por ter, supostamente, poupado a vida a mais de 400 árvores devido ao carácter reutilizável do Andante, não deveria em primeiro lugar revelar o seu respeito pela vegetação nas obras que executa? Haja um mínimo de coerência!

Cremos que grande parte destes problemas seriam evitáveis se a empresa se pautasse por uma postura de maior transparência e abertura ao diálogo. Verificamos, pelo contrário, que a Metro do Porto se envolve em conflitos sistemáticos com uma grande diversidade de instituições da cidade, instituições essas que mereceriam mais respeito e que deveriam ser envolvidas de forma mais profunda nos processos de decisão.

A Campo Aberto vem, de uma forma construtiva, propor soluções para o grave problema de governança que tem caracterizado a construção do metro e para evitar o abate de mais um corredor arbóreo.

Governo deve adoptar um regulamento ambicioso para a participação pública

A Campo Aberto irá propor ao Governo – através do Ministro das Obras Públicas, Mário Lino – que aprove, a curto prazo e com força de lei, um regulamento ambicioso para promover a participação pública em todas as futuras obras relevantes relacionadas com o metro do Porto. Incluem‑se não apenas a construção de novas linhas mas também os arranjos à superfície decorrentes.

O regulamento definiria detalhadamente os procedimentos a adoptar com vista à informação atempada do público – em especial das entidades e pessoas directamente afectadas –, bem como à sua participação efectiva nas decisões, garantindo que sugestões e críticas são analisadas cuidadosamente e de forma imparcial. Note-se que a única participação promovida até hoje decorreu em 1998 aquando da Avaliação de Impacte Ambiental! Para uma obra com a envergadura do metro é insignificante.

Os avanços e recuos motivados por decisões autocráticas, apressadas e mal fundamentadas, e por empreitadas lançadas de rompante sem conhecimento prévio das instituições afectadas, têm criado conflitos e transtornos que acarretam prolongamento de prazos e agravamento de custos. Investir no envolvimento cívico representa por isso mesmo não só a prossecução dos princípios democráticos como também um bom negócio.

Note-se que esta proposta não visa aumentar o grau de influência do Governo sobre a Metro do Porto, assunto sobre o qual não nos pronunciamos; ela destina-se simplesmente a criar regras claras que deverão ser seguidas de modo a corrigir as graves lacunas apontadas.

A criação de uma ligação directa entre a estação do IPO e a ESE permitiria salvar a cortina arbórea existente

Segundo a imprensa foi já aprovado o recuo do muro em frente à Escola Superior de Enfermagem (ESE) para a construção de um passeio. Esta obra obrigará ao abate ou transplante de toda a cortina arbórea existente, o que, dada a falta de espaços verdes na zona e a destruição a que se tem assistido, deveria ser evitado a todo o custo. Estamos em crer que é possível evitar este abate procurando soluções alternativas – o que, lamentavelmente e mais uma vez, não foi feito pelas entidades responsáveis. Propomos aqui uma solução, entre outras que eventualmente seriam possíveis, que remeteremos tanto à Metro do Porto como à ESE.

Alega-se que o passeio é necessário para tornar a ESE acessível aos peões a partir da estação do metro do IPO. Ora isto pode ser conseguido através de uma ligação directa, como se ilustra na foto. A ligação pedonal ao Hospital de S. João é sempre possível atravessando-se a rua. Não é necessário, nem desejável, construir um passeio limitado por um muro de um lado e pela linha do metro do outro. Para garantir a segurança dos peões a linha do metro seria protegida por um gradeamento simples.


A Campo Aberto deseja que o prolongamento da linha amarela até ao Hospital de S. João se verifique o mais rapidamente possível, mas respeitando os valores naturais que ainda subsistem.

Outras tomadas de posição da Campo Aberto sobre o metro do Porto (ver http://www.campoaberto.pt)


This page is powered by Blogger. Isn't yours?