23.9.05
melhor ambiente, mais democracia
Hoje, dia 23 de Setembro, às 21H30,
próximo ao Hospital de São João).
Debate com os candidatos (Matosinhos)

Aspecto da plateia e da mesa no debate com os candidatos do BE (Gonçalo Torgal), do PS (Guilherme Pinto), da CDU (Honório Novo) e do PSD/CDS (João Sá) à Presidência da Câmara Municipal de Matosinhos (auditório da ESAD, 21 de Setembro) .
20.9.05
"Que cidade vamos ter?"

Dia 23 de Setembro, às 21H30,
auditório do Instituto Superior de Engenharia do Porto-ISEP
(Rua António Bernardino de Almeida,
Debate com os candidatos à Presidência da Câmara Municipal
PORTO E MATOSINHOS
Associação dos Amigos do Rio Ovelha, Associação dos Amigos do Mindelo, Associação para a Defesa da Praia da Madalena, APRIL, Campo Aberto, FAPAS, GAIA, NDMALO, Olho Vivo e Quercus
As associações cívicas acima indicadas, activas na região do Porto nos domínios do ambiente e do urbanismo, irão promover, por ocasião das autárquicas 2005, debates com os candidatos à presidência das Câmaras Municipais de Matosinhos e do Porto. Estão confirmadas as presenças dos cabeças de lista da coligação PSD/CDS, PS, CDU e BE (com excepção do Dr. Rui Rio, que se fará representar).
Dia 21 de Setembro, quarta-feira, às 21H30, no auditório da Escola Superior de Artes e Design-ESAD, em Matosinhos (Ed. Jtº Continente, Av. Calouste Gulbenkian, Senhora da Hora) e no Porto, no dia 23 de Setembro, às 21H30, no auditório do Instituto Superior de Engenharia do Porto-ISEP (Rua António Bernardino de Almeida, próximo ao Hospital de São João).
Convidamos desde já todos os interessados a assistir e participar neste debate. Agradecíamos a divulgação através dos meios que estiverem ao vosso alcance.
Um debate deste tipo foi já realizado em Vila Nova de Gaia; estão ainda previstos um em Vila do Conde e outro no Marco de Canavezes.
17.9.05
Mais amarelo e menos verde: os percalços do Metro
É amanhã inaugurada a linha amarela, parte fundamental da rede do Metro, que vai ligar, num percurso de quase seis quilómetros, o centro de Gaia ao pólo universitário e hospitalar da Asprela, no Porto. O momento deveria ser de puro regozijo - não fosse recordarmos com tristeza os prejuízos ambientais e urbanísticos que obras mal planeadas e mal conduzidas trouxeram à cidade: na Asprela houve abate de árvores em grande escala, condimentado pelos inevitáveis descuidos que não pouparam três sobreiros; o Jardim do Marquês, esventrado por obras e convertido em estaleiro, ficou em estado lastimável; e, na Avenida dos Aliados, há a acrescentar, ao abate de árvores e destruição do jardim, a ameaça de uma requalificação descaracterizadora feita contra a vontade expressa dos cidadãos.
A rejeição pelos cidadãos da nova roupagem com que querem vestir o conjunto Avenida dos Aliados / Praça da Liberdade manifestou-se eloquentemente num encontro, realizado em 6 de Julho de 2005 na Fundação Eng. António de Almeida e promovido por várias associações cívicas (ARPPA, APRIL, Campo Aberto, Olho Vivo, Quercus e GAIA), que reuniu cerca de trezentas pessoas, e na adesão de quase seis mil pessoas aos vários abaixo-assinados de protesto que têm circulado. A Avenida dos Aliados é um lugar de memórias e de afectos. Com a violenta transformação que já se adivinha no local (perda dos canteiros floridos e substituição da calçada de calcário e basalto por granito), as pessoas sentem-se espoliadas na sua vivência da cidade. É de um autismo preocupante que, em vez de admitirem rever o projecto, a Câmara e a Metro do Porto insistam em executá-lo - informando, como quem dá uma boa nova à cidade, que as obras, paradas há já algum tempo, avançarão conforme o previsto logo que seja possível adjudicá-las.
Para além das razões afectivas e patrimoniais - pois o que de facto se planeia é a destruição definitiva, com o aval do IPPAR, de um conjunto que está em vias de classificação desde 1993 -, a solução proposta está longe de contribuir para a revitalização do centro da cidade. A substituição de canteiros por pavimento, e da calçada de cor clara por granito cinzento; a placa de betão que, de tão perto que fica da superfície, não deixa profundidade de solo bastante para crescerem árvores com algum porte na zona central da avenida; o trânsito automóvel, que se mantém com três vias de cada lado e os atravessamentos na placa central: tudo isto agravará as condições ambientais do local, transformando aquilo que foi um passeio público e lugar de encontro num simples separador central. (É de assinalar que, no parecer do IPPAR, datado de 6 de Julho de 2005, se considera que os atravessamentos rodoviários contribuem para manter o seccionamento de um espaço que o projecto, alegadamente, quer transformar num todo coerente.)
Finalmente, há as questões legais. Já é grave que a Metro do Porto, extravasando das suas atribuições originais (que são a de construir uma rede de metro e as respectivas estações), se comporte como um verdadeiro pelouro de urbanismo paralelo, não sujeito (como estão os executivos municipais) ao controlo democrático; pior ainda é a impunidade com que faz tábua rasa da lei. No caso da Avenida dos Aliados, ao ter sido dado início a um projecto com «impacte relevante no ambiente ou nas condições de vida das populações ou agregados populacionais» sem a prévia «audição dos cidadãos interessados e das entidades defensoras dos interesses que possam vir a ser afectados», foi violado o artigo 4.º da Lei n.º 83/95, que estabelece o dever de prévia audiência da população na «preparação de planos e na localização ou realização de obras e investimentos públicos». Muito grave foi também a violação do DecretoLei n.º 186/90, de 6 de Junho, ao abrigo do qual foi realizada a Avaliação do Impacte Ambiental do Sistema de Metro Ligeiro da Área Metropolitana do Porto. O parecer final do Processo de Avaliação, datado de Abril de 1998, faz depender a aprovação do projecto do cumprimento das diversas medidas mitigadoras recomendadas no Estudo de Impacto Ambiental. Entre as medidas avulta, no caso da Av. dos Aliados, a «recuperação do jardim após a conclusão do empreendimento, repondose, tanto quanto possível, a situação inicial». Como o projecto prevê, entre outras alterações marcantes, a abolição dos canteiros ajardinados e a substituição do calcário e basalto por granito, é flagrante que essa recomendação foi ignorada.
Todas estas questões motivaram já queixas - ao Provedor de Justiça, ao Ministério Público, ao Comissário Europeu do Ambiente, à Inspecção Geral do Ambiente - e exposições escritas - ao Presidente da Câmara do Porto, ao Governo, à Assembleia da República, ao Presidente da República. A Campo Aberto, a ARPPA e as restantes associações, acima nomeadas, que com elas partilham esta causa esperam que estas entidades cumpram o seu dever e travem a desastrosa requalificação em curso no coração do Porto. Pois se isso não acontecer, a cidade e o país, com esta nova linha amarela, têm todas as razões para ficarem amarelos de vergonha.
Contactos
Campo Aberto - Paulo Ventura Araújo
ARPPA - Dulce Almeida
8.9.05
Convite: Diálogo com os candidatos à Presidência da Câmara Municipal
No âmbito da iniciativa MELHOR AMBIENTE MAIS DEMOCRACIA, convidam-se todos os interessados a assistir ao debate entre os candidatos à presidência da
Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia, no próximo dia 9 de Setembro, às 21:30, que vai
decorrer no Auditório da Assembleia Municipal de Gaia (na rua General Torres).
Estão confirmados os candidados da coligação PSD/PP, PS, CDU, BE e PH.
No debate, serão abordados os problemas de ambiente e ordenamento do
território relevantes no concelho, incluindo eventualmente questões que se
prendem com o respectivo Plano Director Municipal, com a água, rios e bacias
hidrográficas, resíduos, conservação da natureza, parques e jardins,
sustentabilidade urbana e rural, poluição, praias e litoral, florestas,
entre outros. São problemas da maior importância para a vida de todos os
dias para todos os que residem ou trabalham no concelho e sobre os quais é
do maior interesse para o cidadão saber o que pensam e tencionam fazer os
que aspiram a presidir à autarquia nos próximos anos.
Os debates MELHOR AMBIENTE MAIS DEMOCRACIA são uma iniciativa conjunta de
várias associações cívicas que actuam na região do Porto, designadamente a
April, a Associação dos Amigos do Rio Ovelha, a Associação de Defesa da
Praia da Madelena, a Campo Aberto, o Grupo Gaia, o Ndmalo - Núcleo de Defesa
do Meio Ambiente de Lordelo do Ouro, a associação Olho Vivo e a Quercus.
Estão ainda previstos debates nos concelhos do Porto, Matosinhos, Vila do Conde e Marco de Canavezes, os quais serão oportunamente divulgados.
Participe, faça circular este convite entre os seus vizinhos, amigos e
colegas, divulgue-o, nomeadamente por email ou em papel.
7.9.05
O plátano de Damião de Góis... e a política na cidade
Quem, como eu, nasceu e sempre viveu no Porto, não pode deixar de olhar para a evolução da cidade com uma profunda amargura. A situação actual é de tal forma preocupante que, de cada vez que observo um local ainda agradável e característico, me interrogo quanto tempo durará. Parece que a cidade é dominada, desde há muito, por um conjunto de pessoas que se esforça por arruinar a sua identidade: os recantos que desaparecem, as árvores e jardins abatidos sem dó nem piedade ou a calçada portuguesa que, repentinamente, se tornou pirosa; o urbanismo que se vê, onde casas antigas de dois pisos coabitam com prédios altos e disformes; a destruição do património histórico; os passeios miseráveis repletos de obstáculos; as obras megalómanas e injustificáveis, como se não houvesse alternativas ao esbanjar dos dinheiros públicos... Pedacinho a pedacinho vamos assistindo ao desmoronar de uma cidade que ainda conserva uma paisagem urbana de elevada beleza mas que, inegavelmente, se encontra cada vez mais fragmentada e degradada. Os conservacionistas também precisam de se deslocar a locais recônditos para observar espécies muito raras; pois o Porto, a continuar assim, acabará também por ser uma manta de retalhos, com alguns pequenos locais aprazíveis envoltos em cimento sem qualidade.
Assiste-se aqui, claramente, ao efeito cumulativo de pequenas e grandes intervenções. Individualmente, cada uma poderá ter um impacto relativamente pequeno, embora não despiciendo; no seu conjunto, o efeito é devastador. O problema do político comum é que ele tem tendência a analisar cada caso isoladamente, ignorando o efeito sinérgico. E, embora pudéssemos em muitos desses casos concluir que, mesmo de per se, a decisão fora errada, na prática esse político irá considerar que, pesando os prós e os contras, tomou a opção correcta. Ele esquece, porém, a existência de um passivo, e que a essa decisão há que juntar muitas outras que, ao longo do tempo, foram transformando, quase invariavelmente para pior, a imagem da nossa cidade.
Naturalmente que há mecanismos para evitar este tipo de vício de raciocínio. De um modo geral, a decisão política deveria ser precedida de uma análise por um grupo de peritos multidisciplinar e de acordo com princípios claros previamente definidos. Deveria, também, ser precedida da participação do público e das associações representativas da sociedade. Curiosamente, embora existindo no Porto esta massa crítica genuinamente interessada na cidade, ela é comummente ignorada, tal como aconteceu durante a fase de discussão pública do Plano Director Municipal (PDM), e arredada para um canto por ser “fundamentalista” (claro que esta acusação recorrente de “fundamentalismo” carece de toda e qualquer justificação, mas visto que se destina apenas a evitar um debate sério das ideias em causa, não vale sequer a pena perder tempo a tentar provar a sua desfaçatez). Curiosamente, ainda, foi aprovado pela Câmara Municipal um regulamento que teria como fim principal salvaguardar a mancha verde que ainda vai resistindo. É a mesma Câmara, contudo, que ignora diariamente a sua existência, a tal ponto que o regulamento nem sequer é referido na proposta de novo PDM.
Interessante é, também, analisar a evolução do discurso político. Antes das eleições predominam as propostas de mudança ou continuidade, respectivamente quando o partido em causa está na oposição ou no poder. A vontade de mudar é normalmente muito expressiva: os candidatos acreditam mesmo que, uma vez no poder, serão capazes de seguir uma política coerente, baseada nos princípios e estratégias que defenderam em campanha. A vitória nas eleições acarreta alterações profundas no pensamento e, nalguns casos, introduz um dado novo e doloroso que é a realidade. Progressivamente, instala-se na mente de alguns políticos uma espécie de corrupção intelectual que vai delapidando todo aquele frenesim de mudança. Os princípios possuem a grande virtude de serem fáceis de proferir mas o defeito ainda maior de a sua aplicação ser complexa. A certa altura do mandato, quando as ideias megalómanas surgem, é sinal de que pouco ou nada restará daquele entusiasmo inicial e de que a política deu lugar a uma sucessão de ideias desencadeadas.
Acredito que as coisas não têm de ser assim. Gostaria de encontrar um candidato que se pautasse pela verdade e que acreditasse que esse seria o caminho correcto para ganhar as eleições. Alguém que centrasse o seu discurso em explicar o modelo de cidade que idealiza, as estratégias que vai seguir e os projectos que irá concretizar, sabendo de antemão que são necessárias opções, já que os recursos são sempre escassos face às necessidades. Em suma, alguém que percebesse que a politiquice que caracteriza actualmente o país está completamente esgotada e que nada mais irá oferecer do que a frustração pessoal e a dos outros. É absolutamente necessário reintroduzir a ética, os valores e a verdade na política.
Entretanto, o centenário plátano de Damião de Góis foi a mais recente vítima de todo este cenário desolador em que nos achamos. Houvesse uma cultura da criação, da preservação e da reabilitação, e aquele monumento vivo continuaria incólume. Assim, os futuros moradores do edifício em construção teriam a enorme vantagem de abrir a janela e poder sentir uma lufada de ar fresco – que, ao fim e ao cabo, é um pouco aquilo que todos nós estamos a precisar.
Nuno Quental
Eng. do Ambiente
(publicado no Público, secção Local Porto, de 5 de Setembro)



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