15.11.05
Sugestões concretas para uma mobilidade mais equilibrada
Basta caminharmos na rua ou usarmos os transportes públicos (mesmo que não seja sempre, como é o meu caso) para detectarmos um número considerável de situações a merecer correcção atempada. Enquanto cidadãos e, em particular, utentes (há quem goste da expressão "consumidores de cidade", mas eu detesto-a!), temos o dever de sugerir a quem de Direito que ponha mãos à obra. Assim fiz. Os dois emails que reproduzo em baixo traduzem propostas concretas que permitiriam uma mobilidade mais equilibrada - leia-se menos favorável ao automóvel e mais ao transporte público e à circulação a pé.
Nuno Quental
STCP
"Exmo. Sr. Provedor do Cliente
Gostaria de enviar mais algumas sugestões como forma de melhorarem o vosso serviço. Escrevo na qualidade de utente que se preocupa com o transporte público.
O SMS Bus é um excelente serviço, muito funcional. Foi com agrado que soube da redução do seu custo. Contudo, penso que os portadores de passe, visto serem clientes habituais da STCP, deveriam pagar ainda menos (um preço simbólico, cerca de 10 cêntimos). É uma forma de diferenciar e manter os melhores clientes.
Relativamente à antiga linha 20, agora 302/303, tenho dúvidas sobre a alteração de traçado. Compreendo a necessidade de repensar a rede devido ao metro, mas já me custa a aceitar uma alteração pontual que na prática implica um desvio e uma perda de tempo para a maior parte dos utentes. Pergunto: quantos clientes é que a alteração de percurso terá trazido? E quantos prejudicou? A linha 20 já cruza o metro noutros pontos do seu percurso (Boavista, Carolina Michaelis, Alilados, S. Bento, Marquês), pelo que ainda menos se entende uma alteração de percurso para servir a estação do Campo 24 de Agosto. Uma coisa é repensar a rede de autocarros, o que me parece correcto, outra é alterar pontualmente percursos que implicam tempos de viagem superiores. Acredito que me faltem dados para uma análise mais correcta, pelo que se for caso disso por favor esclareçam-me.
Uma outra ideia. Em cada paragem, e de acordo com os autocarros que nela passam, poderiam indicar as zonas da cidade e região servidas. Estou a pensar em algo como uma lista de lugares, por ordem alfabética, contendo à frente de cada um indicação do(s) autocarro(s) correspondentes(s). Eventualmente poderia ser pensada uma lista geral para toda a rede STCP, metro e operadores privados.
Por fim, creio que existe um excesso de paragens de autocarros. O 21, por exemplo, tem três na Rotunda da Boavista! Há que manter um certo distanciamento entre as paragens, por razões óbvias. Parece-me que é preferível paragens compridas mas concentradas, ou seja, servidas por muitos autocarros (como há, por ex., no início da Av. da França e na Rua Júlio Dinis), do que pontuais e espalhadas. As paragens concentradas facilitam a mudança de autocarro, enquanto as paragens espalhadas (ainda que na mesma zona) dificultam muito essa tarefa e obrigam o utente a maiores deslocações e ao atravessamento de ruas. Havia que repensar muitas e muitas paragens sob este ponto de vista.
Mais uma vez agradeço a atenção dispensada e felicito a STCP pelas melhorias visíveis no seu serviço numa verdadeira óptica de interesse público."
CMP - Director Municipal da Via Pública
"Caro Eng. Albano Carneiro
Venho por este meio enviar algumas sugestões com vista à melhoria das condições de circulação a pé e para o transporte público. Escrevo na qualidade de cidadão que procura respostas construtivas para os problemas. Creio que é necessário apostar de forma mais decisiva no transporte público, criando condições para que possa funcionar com eficiência e qualidade. As opções actuais traduzem uma facilidade excessiva ao automóvel que prejudica o transporte colectivo, causando atrasos e prejuízos financeiros avultados, e quem precisa de se deslocar a pé.
1. Passadeiras na Rotunda da Boavista
A propósito da intervenção na Rotunda da Boavista foi dito diversas vezes por dirigentes políticos da CMP que era necessário incentivar as pessoas a usufruir do jardim da Rotunda da Boavista. Constato que não há boas condições para que as pessoas possam aceder facilmente ao jardim, tanto por falta de passadeiras como devido aos elevados tempos de espera nos semáforos. A situação é especialmente grave na radial da av. da França: muitas pessoas atravessam a Rotunda para apanhar o autocarro ou o metro mas não existe qualquer passadeira para que o possam fazer em segurança (a passadeira mais próxima é a que dá acesso à rua 5 de Outubro, mas as pessoas preferem percursos mais directos, o que é perfeitamente compreensível).
Algumas das passadeiras existentes estão, a meu ver, mal colocadas. Veja-se o caso da passadeira na av. da Boavista, mesmo em frente à Casa da Música. Situa-se claramente fora do percurso natural dos peões, obrigando-os a efectuar um desvio significativo se quiserem continuar a circundar a rotunda.
Sugestão: criar passadeiras amplas, bem marcadas (algumas vêem-se muito mal, o que é perigoso para os peões), entre todas as radiais e a Rotunda da Boavista, e com tempos de espera para os peões diminutos.
2. Sincronização dos semáforos na Rotunda da Boavista
Recentemente tenho verificado que, em alguns semáforos, o trânsito automóvel é permitido num sentido e interrompido noutro, como acontece na rua Nossa Sra. de Fátima. A travessia dos peões só fica verde quando o trânsito é interrompido em ambos os sentidos simultaneamente, o que obriga a um prolongamento anormal do tempo de espera para os peões. Naturalmente, os peões acabam por atravessar em situação de perigo.
Sugestão: alterar a sincronização dos semáforos de modo a que só existam duas opções possíveis: circulação automóvel simultânea em ambos os sentidos, ficando vermelho para os peões; e circulação automóvel interrompida em ambos os sentidos, ficando verde para os peões.
3. Faixa bus na Av. da Boavista
Constato também que, devido ao elevado tráfego na zona da Boavista, se formam por vezes enormes filas em algumas das radiais da Rotunda (e na direcção desta), nomeadamente na av. da Boavista, na rua Nossa Sra. de Fátima e na rua da Boavista. Enquanto na rua 5 de Outubro e na rua Júlio Dinis existem corredores bus, isso não acontece naqueles arruamentos, para desespero de quem anda de autocarro. Como os semáforos só ficam abertos por períodos extremamente reduzidos, a espera pode ser considerável (eventualmente 20 minutos para apenas 100 metros). Outras vezes deparei-me com a quase impossibilidade de passagem de ambulâncias e polícia, o que é muito grave.
Sugestão: criar um corredor bus nos últimos quarteirões da Av. da Boavista, rua da Bosvista e rua Nossa Sra. de Fátima no sentido de quem vai na direcção da Rotunda.
4. Trânsito junto ao Hospital de Santo António
Preocupa-me o que se passa junto ao Hospital de Santo António. Esperava que, com a construção do túnel de Ceuta, o trânsito à superfície fosse condicionado. Infelizmente isso ainda não aconteceu. Há dias o JN noticiava que alguns autocarros chegavam a demorar 40 minutos a percorrer uns escassos 300 metros (entre a praça dos Leões e a rua D. Manuel II). De facto, havendo já uma alternativa, penso que era louvável que a superfície daquela zona nobre da cidade se visse mais livre do tráfego automóvel. Está demonstrado que em casos como este os automobilistas se adaptam com relativa facilidade às restrições de tráfego alterando os seus percursos (em inglês o fenómeno chama-se "traffic evaporation"). Além disso, a melhoria das condições de circulação dos autocarros também favorece o seu uso.
Sugestão: permitir apenas a circulação à superfície de transportes públicos e veículos oficiais (emergência, municipais, etc.) entre os Leões e a rua D. Manuel II, estendendo esta área às ruas adjacentes através de corredores bus (ligando-a, sobretudo, à Rua de Ceuta)."
Nuno Quental
STCP
"Exmo. Sr. Provedor do Cliente
Gostaria de enviar mais algumas sugestões como forma de melhorarem o vosso serviço. Escrevo na qualidade de utente que se preocupa com o transporte público.
O SMS Bus é um excelente serviço, muito funcional. Foi com agrado que soube da redução do seu custo. Contudo, penso que os portadores de passe, visto serem clientes habituais da STCP, deveriam pagar ainda menos (um preço simbólico, cerca de 10 cêntimos). É uma forma de diferenciar e manter os melhores clientes.
Relativamente à antiga linha 20, agora 302/303, tenho dúvidas sobre a alteração de traçado. Compreendo a necessidade de repensar a rede devido ao metro, mas já me custa a aceitar uma alteração pontual que na prática implica um desvio e uma perda de tempo para a maior parte dos utentes. Pergunto: quantos clientes é que a alteração de percurso terá trazido? E quantos prejudicou? A linha 20 já cruza o metro noutros pontos do seu percurso (Boavista, Carolina Michaelis, Alilados, S. Bento, Marquês), pelo que ainda menos se entende uma alteração de percurso para servir a estação do Campo 24 de Agosto. Uma coisa é repensar a rede de autocarros, o que me parece correcto, outra é alterar pontualmente percursos que implicam tempos de viagem superiores. Acredito que me faltem dados para uma análise mais correcta, pelo que se for caso disso por favor esclareçam-me.
Uma outra ideia. Em cada paragem, e de acordo com os autocarros que nela passam, poderiam indicar as zonas da cidade e região servidas. Estou a pensar em algo como uma lista de lugares, por ordem alfabética, contendo à frente de cada um indicação do(s) autocarro(s) correspondentes(s). Eventualmente poderia ser pensada uma lista geral para toda a rede STCP, metro e operadores privados.
Por fim, creio que existe um excesso de paragens de autocarros. O 21, por exemplo, tem três na Rotunda da Boavista! Há que manter um certo distanciamento entre as paragens, por razões óbvias. Parece-me que é preferível paragens compridas mas concentradas, ou seja, servidas por muitos autocarros (como há, por ex., no início da Av. da França e na Rua Júlio Dinis), do que pontuais e espalhadas. As paragens concentradas facilitam a mudança de autocarro, enquanto as paragens espalhadas (ainda que na mesma zona) dificultam muito essa tarefa e obrigam o utente a maiores deslocações e ao atravessamento de ruas. Havia que repensar muitas e muitas paragens sob este ponto de vista.
Mais uma vez agradeço a atenção dispensada e felicito a STCP pelas melhorias visíveis no seu serviço numa verdadeira óptica de interesse público."
CMP - Director Municipal da Via Pública
"Caro Eng. Albano Carneiro
Venho por este meio enviar algumas sugestões com vista à melhoria das condições de circulação a pé e para o transporte público. Escrevo na qualidade de cidadão que procura respostas construtivas para os problemas. Creio que é necessário apostar de forma mais decisiva no transporte público, criando condições para que possa funcionar com eficiência e qualidade. As opções actuais traduzem uma facilidade excessiva ao automóvel que prejudica o transporte colectivo, causando atrasos e prejuízos financeiros avultados, e quem precisa de se deslocar a pé.
1. Passadeiras na Rotunda da Boavista
A propósito da intervenção na Rotunda da Boavista foi dito diversas vezes por dirigentes políticos da CMP que era necessário incentivar as pessoas a usufruir do jardim da Rotunda da Boavista. Constato que não há boas condições para que as pessoas possam aceder facilmente ao jardim, tanto por falta de passadeiras como devido aos elevados tempos de espera nos semáforos. A situação é especialmente grave na radial da av. da França: muitas pessoas atravessam a Rotunda para apanhar o autocarro ou o metro mas não existe qualquer passadeira para que o possam fazer em segurança (a passadeira mais próxima é a que dá acesso à rua 5 de Outubro, mas as pessoas preferem percursos mais directos, o que é perfeitamente compreensível).
Algumas das passadeiras existentes estão, a meu ver, mal colocadas. Veja-se o caso da passadeira na av. da Boavista, mesmo em frente à Casa da Música. Situa-se claramente fora do percurso natural dos peões, obrigando-os a efectuar um desvio significativo se quiserem continuar a circundar a rotunda.
Sugestão: criar passadeiras amplas, bem marcadas (algumas vêem-se muito mal, o que é perigoso para os peões), entre todas as radiais e a Rotunda da Boavista, e com tempos de espera para os peões diminutos.
2. Sincronização dos semáforos na Rotunda da Boavista
Recentemente tenho verificado que, em alguns semáforos, o trânsito automóvel é permitido num sentido e interrompido noutro, como acontece na rua Nossa Sra. de Fátima. A travessia dos peões só fica verde quando o trânsito é interrompido em ambos os sentidos simultaneamente, o que obriga a um prolongamento anormal do tempo de espera para os peões. Naturalmente, os peões acabam por atravessar em situação de perigo.
Sugestão: alterar a sincronização dos semáforos de modo a que só existam duas opções possíveis: circulação automóvel simultânea em ambos os sentidos, ficando vermelho para os peões; e circulação automóvel interrompida em ambos os sentidos, ficando verde para os peões.
3. Faixa bus na Av. da Boavista
Constato também que, devido ao elevado tráfego na zona da Boavista, se formam por vezes enormes filas em algumas das radiais da Rotunda (e na direcção desta), nomeadamente na av. da Boavista, na rua Nossa Sra. de Fátima e na rua da Boavista. Enquanto na rua 5 de Outubro e na rua Júlio Dinis existem corredores bus, isso não acontece naqueles arruamentos, para desespero de quem anda de autocarro. Como os semáforos só ficam abertos por períodos extremamente reduzidos, a espera pode ser considerável (eventualmente 20 minutos para apenas 100 metros). Outras vezes deparei-me com a quase impossibilidade de passagem de ambulâncias e polícia, o que é muito grave.
Sugestão: criar um corredor bus nos últimos quarteirões da Av. da Boavista, rua da Bosvista e rua Nossa Sra. de Fátima no sentido de quem vai na direcção da Rotunda.
4. Trânsito junto ao Hospital de Santo António
Preocupa-me o que se passa junto ao Hospital de Santo António. Esperava que, com a construção do túnel de Ceuta, o trânsito à superfície fosse condicionado. Infelizmente isso ainda não aconteceu. Há dias o JN noticiava que alguns autocarros chegavam a demorar 40 minutos a percorrer uns escassos 300 metros (entre a praça dos Leões e a rua D. Manuel II). De facto, havendo já uma alternativa, penso que era louvável que a superfície daquela zona nobre da cidade se visse mais livre do tráfego automóvel. Está demonstrado que em casos como este os automobilistas se adaptam com relativa facilidade às restrições de tráfego alterando os seus percursos (em inglês o fenómeno chama-se "traffic evaporation"). Além disso, a melhoria das condições de circulação dos autocarros também favorece o seu uso.
Sugestão: permitir apenas a circulação à superfície de transportes públicos e veículos oficiais (emergência, municipais, etc.) entre os Leões e a rua D. Manuel II, estendendo esta área às ruas adjacentes através de corredores bus (ligando-a, sobretudo, à Rua de Ceuta)."


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