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15.5.05

Dos jornais: "Apagar a memória"

Leitura imperdível: a opinião de Rui Moreira
(in Público Local-Porto /edição impressa- 15-05-05)

«(...) É lamentável que ainda hoje, continuemos a apagar a nossa memória colectiva pela lei do camartelo. (...) Poderemos fazer até uma nova cidade, mas não conseguiremos rafazer a nossa cidade escaqueirando o que temos.
(...) Nenhuma obra, das muitas e más que foram sendo feiras, terá a dimensão trágica dos molhes do Douro.
(...) Entretidos por promessas espúrias e publicidades enganosas de fantasiosas brochuras municipais, transformamo-nos numa sociedade acrítica. Preferimos que as obras que "têm que ser feitas" avancem rápidop e nos causem o menor transtorno.
Destruíram a paisagem com os molhes? Lá terá que ser, por causa da exportação do granito. As areias que iam reforçar o Cabedelo estão afinal a ser vendidas em Valbom? Deve ser para fomentar a construção civil... Aterraram a porta dos Carrancas? Deixem lá fazer a saída do túnel ou nunca mais acabam as obras! Vão fazer uma pavorosa marina mediterrânica na Alfândega, em pleno centro histórico? Não faz mal, vai atrair turistas ricos! Vão mexer nos Aliados? Não se aflijam, o projecto é do Siza. Esventraram a Boavista? Tinha que ser para as corridas "míticas" do Rio. Arrancaran as árvores? Ora, há verde que chegue no Parque.
(...)
O pior sintoma de depressão e dacadência da cidade é esta letargia, esta insensibilidade, este estado de prostação, perante a banalização do vandalismo.»
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